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Sorocaba, São Paulo, Brazil
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Wednesday, December 22, 2010

Uma noite hétero



Há alguns dias estou maturando este assunto...

Voltei ao Brasil há duas semanas e tenho me mantido ocupado tentando organizar as coisas aqui em casa. Há dois dias, um amigo hétero que trabalhou comigo na Ásia chegou ao Brasil para passar o Natal com a família. Não deu outra: um telefonema é lá fomos nós tomar umas cachaças em memória dos bons tempos. Paramos num boteco e começamos a colocar as fofocas em dia.

Meia hora depois chegavam dois irmãos do genro desse meu amigo. Fisicamente esses irmãos não me eram estranhos e acabamos nos lembrando que há 7 ou 8 anos atrás fazíamos parte da mesma turma e que por várias vezes arrasamos na night de Sorocaba...

Mais pessoas chegaram, acabamos juntando as mesas... e venha de cerveja!

O lance é que todos ali são héteros (ou pelo menos esta é a premissa básica) e lógicamente os assuntos em voga eram: cerveja, puteiro, putas, travecos, Oktoberfast, etc... Foi como uma viagem no tempo: primeiramente me senti de certa forma chocado com as coisas que ouvi alí: um deles tem tara por cú de traveco, todos sem excessão estão divorciados e em alguns casos pela segunda ou terceira vez... Todos na faixa dos 30 e poucos ou 40 anos, solteiros e na gandaia!

Acho que pelo menos nas duas primeiras horas, me senti completamente perdido, como um cachorro caído do caminhão de mudança. Não houve uma única menção a assuntos de meu interesse, como: Economia, Política, Cinema, nada... realmente nada! Com o passar das horas, talvez estimulado pelas cervejas relaxei um pouco, mas realmente me fez lembrar de uma vida a qual não pertenço mais!

Um deles tinha acabado de vender um carro para um cafetão e recebeu como pagamento mais de R$ 12.000 em vale-puta e boa parte da noite foi passada discutindo como e quando eles iriam gastar esta verba.

Fiquei só imaginando qual seria a reação daquelas pessoas se soubessem o quanto minha vida mudou nos últimos 5 anos...

Este tipo de coisa é exponencial, ou seja, um deles sabe que estou de volta e a notícia já se espalhou... Acabei de receber uma ligação de outro daquela antiga turma me convidando para um churrasco hoje à noite onde terei a oportunidade de rever a todos... Essa idéia me dá calafrios!

Não dá para se fazer um omelete sem se quebrar os ovos e o tão temido momento chegou... estou de volta, as pessoas que fizeram parte do meu passado estão começando a saber disto e naturalmente haverá uma reaproximação... e eu simplesmente me sinto aterrorizado e sem saber o que fazer! 

Como o pinguim da foto, existe uma cerca que separa o meu passado do meu presente. Não tenho a menor intenção em transpor esta barreira novamente: o que há do outro lado não me interessa, mas algumas pessoas do outro lado eram amigos queridos que não gostaria de perder.

Aguardem cenas dos próximos capítulos!

Wednesday, October 13, 2010

It gets better!




Primeiramente, por favor me perdoem o Português errado. Tenho vivido fora do país por quase cinco anos e estou meio enferrujado, isto sem falar na revisão ortográfica que aconteceu por aí depois que deixei o país...



Foi com tristeza e revolta que assisti nas últimas semanas às notícias sobre o suicídio de adolescentes nos EUA devido a "ataques e perseguições" por parte de colegas na escola por causa da "desconfiança ou certeza" quanto à sua homosexualidade.

Tristeza porque posso imaginar o sofrimento e desespero de alguém para se chegar ao ponto de tirar a própria vida e revolta porque facilmente se pode traçar pessoas, associações, instituições e organizações na raíz do problema.

Entrar na adolescência e ter que lidar com todos os assuntos à ela associada já deveria ser por si só complicação suficiente (e todo mundo sabe disso) mas ainda por cima ter dúvidas profundas sobre sua própria sexualidade e ainda ter que lidar com “ataques e perseguições” é muito para cabeça!

O projeto “It gets better” (see link: http://www.youtube.com/user/itgetsbetterproject ) algo como “melhora com  o tempo” é uma iniciativa fantástica promovida nos EUA por celebridades, comunidades gays e não-gays, GLS e afins que tem como propósito mostrar que realmente “It gets better”. Muitas pessoas vieram a público para falar de suas histórias de frustrações, aceitação, violência, sucessos, amores e paixões. Há vídeos que realmente valem a pena ser assistidos, mas estão em Ingles...
Me fez buscar minhas memórias, há muito enterradas... Teria sido eu também atacado e perseguido?

Primeiro devo explicar algo: nunca fui afeminado e embora tenha tido várias namoradas sempre lutei contra minha sexualidade até que um dia há poucos anos atrás me olhei no espelho e finalmente decidi que era tempo de parar de lutar contra ela e de me aceitar como homossexual.

Nunca gostei de futebol ou qualquer outro esporte violento, nunca gostei de brigas, sempre fui muito sensível às artes, música, Literatura, etc o que com  certeza não passou despercebido aos meus “colegas” de escola, infância, etc. É ainda difícil ter que revisitar estas memórias, mas, SIM, fui atacado e tive que lidar com violência e descriminação devido a ser algo que ainda não estava claro nem a mim mesmo.

Me lembro de toda dor e frustação de ter que lidar com assuntos que me eram desconhecidos e o pior de tudo era não ter nenhum suporte, ninguém com quem discutir. Como chegar para a minha religiosa e conservadora família e simplesmente falar?
Uma vez que não encontrei suporte em lugar algum somente o tempo acabou por trazer algum alívio.
Felizmente nunca pensei em me matar, mas pensei sim e por várias vezes em dar um fim em quem me atacava...

De qualquer forma, são memórias e como tal pertencem ao passado. A única coisa que posso dizer é que me endureceu e me fortificou.
Cresci, estudei, fui capaz de encontrar sucesso em minha carreira, corri o mundo, conheci muitas pessoas interessantes, expandi meu horizontes e isso nada ou ninguém vai me tirar. Apesar de tudo: vim, vi e venci e recentemente encontrei um parceiro com quem estou vivendo por mais de um ano. Sou feliz e estou finalmente em paz.
Acredite: It gets better!

Mas o que aconteceu com estas pessoas que me atacaram?
A maioria delas desapareu eu sua própria mediocridade, mas alguns tem e tiveram uma vida miserável, sem esperanças, sem felicidade e sem sucesso... Desculpem-me, mas sinceramente acredito que cada um tem aquilo que merece. Semeou ventos, colha tempestades!

Quem são os culpados?
Primeiramente, colocar filhos no mundo é fácil, mas não para por aí, pelo menos não deveria. É preciso prestar atenção a tudo e prover suporte, não somente financeiro, mas fundamentalmente emocional. Infelizmente a maioria dos pais por qualquer que seja a razão, seja por ignorância ou por simplesmente não querer ver, não estão à altura do desafio e instituições como por exemplo a Igreja, com esta política de rotular “homossexualidade” como “coisa do demônio” que pode ser combatida através de fé e muita reza não ajuda.
Muito pelo contrário: não é assim que funciona e só tende a complicar as coisas. Acho que as recentes mortes de mais de 600 adolescentes somente nos Estados Unidos demonstram isto.

Com o passar do tempo cheguei à conclusão que Religião, seja ela qual for, não é mais do que o ópio do povo. Ao invés de se enfrentar a situação com racionalidade, sensibilidade e responsabilidade é sempre mais fácil esconder-se atrás de crenças religiosas e negar uma situação esperando que ela se resolva por si mesma e que com o tempo desapareça.
Se esse é o caminho que você escolheu, reze e cruze os dedos na esperança de que você nunca precise ir ao funeral de seus próprios filhos que devido à falta de apoio foram levados a tirar a própria vida.

Esta semana assisti na TV aquele cretino do Carl Paladino (candidato ao governo de Nova Iorque) fazendo comentário homofóbicos na TV. Abaixo, mas infelizmente somente em Inglês.
Agora me responda: Em que isso ajuda? Somente coloca mais lenha na fogueira da intolerância.

Esquanto a humanidade não começar a respeitar outras culturas, crenças, opções sexuais, modos de vidas diferentes, etc vamos continuar a ver este tipo de notícias na mídia. Mas isso não é tudo, o fundamental é que a Humanidade pare de tentar impor aos outros suas próprias crenças e pontos de vista.
Caralho, isto vai contra a própria natureza humana: cada indivíduo é único, com sua própria genética e identidade. Por que forçar um único caminho?
É hora de parar com isto...

O que pode ser feito?
Com relação aos ataques e violência a própria sociedade tem que se organizar e proporcionar suporte e apoio a seus jovens. É inconcebível que instituições como escolas não tenham profissionais capazes de lidar com o assunto.
Realmente espero que todo este “furor” na imprensa tenha pelo menos o lado positivo de levar à ações concretas...

A própria Igreja deveria se olhar no espelho e antes de atacar a “homossexualidade” deveria resolver e enfrentar de vez o problema dos “abusos sexuais” que acontecem diariamente debaixo de seu próprio teto levados a cabo por padres que deveriam primordialmente zelar e proteger sua comunidade.
Resolvendo estes assuntos, talvez a própria Igreja possa ter um novo começo, baseado em respeito e tolerância e pare de taxar a homossexualidade como uma doença, mas simplesmente como uma das facetas do ser humano, que como o próprio Deus nos falou, possue livre harbítrio para escolher seus caminhos...

Agora nós, gays, comunidades GLS, bi, trans o que quer que sejamos, temos que primeiramente adotar outro “modus operandi” e evitar certos compartamentos e enfrentamentos.
Não preciso por exemplo beijar meu namorado num restaurante... Isto pode ser feito em casa! Mas devemos sim é nos organizar e lutar por nossos direitos como seres humanos. Mas primeiramente devemos saber o que queremos.

Sei o que eu quero: quero viver minha em paz e da maneira que escolhi, quero ter todos os direitos civis que qualquer cidadão tem, direitos baseados nas aspectos e necessidades humanos, não em estúpidas convenções religiosas.

Por que não posso me casar com o parceiro que escolhi? Por que meu parceiro não pode ser herdeiro de meus bens? Por que tenho que lutar pelo direito de tê-lo sob a cobertura de minhas apólices de seguro?

Apenas quero os mesmos direitos que a Constituição de meu país assegura a todos sem distinção de sexo, cor da pele, opção sexual ou crença religiosa...

Por acaso mereço menos que isto?

It gets better!



It was with a mix of sadness and outrage that I've seen lately the news on the suicides which have been carried out by teenagers in America due to "bulling" at school on their "being or soon-to-be" homosexuality!

Sadness cause naturally one cannot avoid thinking on the suffering and despair of someone to go for such an extreme action of putting an end on ones own live and outrage cause you can easily trace back some people, associations, institutions and organizations behind that.

Being a teenage and having to deal with all issues associated to that, all doubts and uncertainties of life is already tough enough, everybody knows it and on top of that to deal with one own sexuality doubts only puts a lot of pressure on it mostly if there is "bulling" and one cannot deal with it...

The "It gets better project" is an amazing initiative which started in the US (see link: http://www.youtube.com/user/itgetsbetterproject ) by celebrities, gay community, non-gays, LGBT people, etc etc. Its purpose is to show that even with maybe a harsh start "It gets better". Lots of people came out with their own histories of frustration, acceptance, success, love and passion. There are very good and emotional videos. I liked very much some of them:
* Dan & Terry: http://www.youtube.com/user/itgetsbetterproject#p/f/0/7IcVyvg2Qlo
* Brian Gallivan: http://www.youtube.com/user/itgetsbetterproject#p/f/41/sCfKCEPd2uo
* Ellen DeGeneris: http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=119833649182291626
Take a look on that.

It brought me back to my childhood buried memories... Have I been bullied?!
Have to explain something first: I've never been sissy, effeminate or any sort of that. Despite of having had lots of girlfriends I struggled with my sexuality for my whole life and only came to terms with that a few years ago, but I WAS different:
Never liked soccer or any other harsh sport, never liked to fight, was always sensitive to arts, music, literature, etc which for sure haven't gone unnoticed by my "colleagues". It is kinda difficult to touch these issues but, YES, I have been "bullied" at school for being something that was not even that clear to myself.
I remember the pain of carrying a burden which I didn't know how to deal with and the worse thing was not having anyone to talk about it at all... how to approach my own "very religious and conservative family"?...
Once support was not there only time brought me relief.
Gratefully I never thought to kill myself, but I did think to kill some of my "bullies"...

Anyway, all of it is buried in the past and the only thing I can say is that somehow it strengthened myself. I've grown up, went to the university, pursed a successful carrier, traveled around the world, met lots of interesting people, expanded my horizons and nothing or nobody will take this away from me. Despite of all I succeeded and lately found a partner who I live with for more than an year. Am happy and in peace now!
Trust me: It gets better!!!!!

How about my "bullies"?
Most of them disappeared in their own mediocrity, but some of them have had a very miserable lives with no hopes, no achievements and no happiness... Sorry, but I strongly believe that ones only collect what ones seed!

Who's to blame?
First of all being a parent means that one must keep track on one children: human beings need support but unfortunately it doesn't come quite often from ones families once by whatever reasons parents either don't have a clue on what's happening with their kids or don't want to see it and institutions like the Church prays on labeling "homosexuality" as "a thing from the devil" which can be cured through faith and pray!
I got news for you guys: it doesn't work like this!

It's grown stronger on myself over the years the belief that whatever religion is an opium for its people. Instead of facing such situations with rationality, sensibility and care it is always easier to use "religious beliefs" as a cushion  and only pretend there is no problem and that everything will end up in a good way... If that is your approach you better pray a lot and cross your fingers in the hope that you will never have to attend a funeral of your own kids!

This week I saw that idiot of Carl Paladino in NY making a stupid remark on homosexuality. Take a look: http://www.cnn.com/2010/POLITICS/10/11/new.york.paladino.gays/index.html
Now tell me: Does it help in anything? Or it is just more fuel on the fire of intolerance?

As long as human beings don't learn to respect other cultures, beliefs, sexual choices, ways of life, etc we will continue to watch such tragedies on the news! But this is not all: human beings have to stop trying to impose their own ways to someone else... It is against the human nature... Fuck! We are different, each one is an individual, has its own genetics and identity!
STOP that now...

What can be done?
Related to the bullies themselves the society needs to organize itself and provide support for our youth in this crucial moment of their lives. It is unacceptable that schools don't have people technically prepared to deal with such issues... I really hope that all this "furor" on the news will have at least a positive side effect: it will lead to actions!

Institutions like the Church itself should look at its own mirrors and instead of attacking "homosexuality" should address all the "sexual abuses" which happens in a daily basis under its own roofs by priests who were supposed to support and protect its Community. Addressing such issues in a proper way maybe would lead to a new start for the Church and it might use its power and influence on its followers referring to homosexuality not as a disease but as part of human beings choices... The so called "freewill" given by God itself (to talk in their own language).

Now us: gays, LGBT, bi, trans, whoever should first of all to stop trying to shock people with sometimes an abusive behavior... I don't need for instance to kiss my boyfriend in a restaurant. I can make it at home! But we do have to organize ourselves and fight for our rights as human beings! But do we know what we want in a first place?
I know what I want: want to live my life in peace in the way I've chosen. To have all civil rights which anyone else (including straights) have based on a human being perspective not on stupid religious conventions: Why I cannot marry the partner I choose? Why we cannot make one another our heir in the event one of us is no longer around and give security to our partners? Why do we have to fight to have our partner covered under our insurance policies?
I just want the same rights a Constitution of my Country provides to anyone without distinction of gender, color of skin, sexual choice or religious believes...

Do I deserve less than that?